A Caça (1964)
A Caça (1964), de Manoel de Oliveira, com António Rodrigues Sousa e João Rocha Almeida.
dos usuários
Sinopse
Duas crianças testemunham um assassinato durante um acampamento com os amigos de seus pais. Os irmãos que cometeram o crime pretendem silenciá-las.
- Manoel de OliveiraFotografia, Direção, Montagem, Produção, Roteiro
- Joly Braga SantosTrilha sonora
Sobre o filme
A Caça (1964) é uma curta-metragem de ficção de Manoel de Oliveira. O filme tem origem numa notícia de jornal em que o autor se baseia para escrever o argumento
Há quem destaque a «dimensão simbólica» deste filme pelas referências subliminares à mitologia clássica que contém: o plano inserido de uma estátua de Diana, deusa da caça, a implícita alusão a um neto de Apolo, Acteon, exímio caçador que sucumbirá pela sua obstinação. Não sendo porventura tão simbólico como isso, este filme conta no entanto um história exemplar em que a virtude da solidariedade falha por desentendimento... Ou acaba por resultar por força das circunstâncias.
Outra particularidade deste filme reside em dois factores, um deles tão importante como o outro para a compreensão da carreira de Manoel de Oliveira. O primeiro consiste numa construção puramente cinematográfica da narrativa, com planos curtos e cuidadamente articulados, como no Douro, Faina Fluvial, com diálogos verosímeis e curtos também, como em certos outros filmes seus. O segundo consiste na vertente da história que envolve gente de uma aldeia pobre e que dela traça um fiel retrato. Nesta tentativa se distingue o celebrado Manoel pela tentação algo obstinada de retratar em muitos outros filmes, desde O Passado e o Presente (1971), certa aristocracia, certas individualidades históricas, em décors monumentais, palácios ou aburguesadas mansões, ou em cenários artificiais e estilizados, em planos longos ou estáticos, em monólogos ou diálogos declamados, em teatro filmado, tendência essa que se extrema em O Sapato de Cetim (1985).
Feito o balanço dessas tentativas e tentações desde a sua primeira longa-metragem, Aniki Bóbó (1942), verifica-se serem maioritários os filmes teatrais na obra do «Mestre». Curiosamente porém, nos seus filmes mais recentes o estilo cinematográfico é mais recorrente que a pesadíssima teatralidade das suas “grandes” obras, coisa ainda por explicar mas cuja explicação por certo lançará nova luz sobre o percurso do veterano cineasta.
A Caça estreia em Lisboa no “Estúdio” do Cinema Império a 23 de setembro de 1970.
Ler o artigo completo (6 mil caracteres)
A Caça (1964) é uma curta-metragem de ficção de Manoel de Oliveira. O filme tem origem numa notícia de jornal em que o autor se baseia para escrever o argumento
Há quem destaque a «dimensão simbólica» deste filme pelas referências subliminares à mitologia clássica que contém: o plano inserido de uma estátua de Diana, deusa da caça, a implícita alusão a um neto de Apolo, Acteon, exímio caçador que sucumbirá pela sua obstinação. Não sendo porventura tão simbólico como isso, este filme conta no entanto um história exemplar em que a virtude da solidariedade falha por desentendimento... Ou acaba por resultar por força das circunstâncias.
Outra particularidade deste filme reside em dois factores, um deles tão importante como o outro para a compreensão da carreira de Manoel de Oliveira. O primeiro consiste numa construção puramente cinematográfica da narrativa, com planos curtos e cuidadamente articulados, como no Douro, Faina Fluvial, com diálogos verosímeis e curtos também, como em certos outros filmes seus. O segundo consiste na vertente da história que envolve gente de uma aldeia pobre e que dela traça um fiel retrato. Nesta tentativa se distingue o celebrado Manoel pela tentação algo obstinada de retratar em muitos outros filmes, desde O Passado e o Presente (1971), certa aristocracia, certas individualidades históricas, em décors monumentais, palácios ou aburguesadas mansões, ou em cenários artificiais e estilizados, em planos longos ou estáticos, em monólogos ou diálogos declamados, em teatro filmado, tendência essa que se extrema em O Sapato de Cetim (1985).
Feito o balanço dessas tentativas e tentações desde a sua primeira longa-metragem, Aniki Bóbó (1942), verifica-se serem maioritários os filmes teatrais na obra do «Mestre». Curiosamente porém, nos seus filmes mais recentes o estilo cinematográfico é mais recorrente que a pesadíssima teatralidade das suas “grandes” obras, coisa ainda por explicar mas cuja explicação por certo lançará nova luz sobre o percurso do veterano cineasta.
A Caça estreia em Lisboa no “Estúdio” do Cinema Império a 23 de setembro de 1970.
Sinopse
Pela calada da noite, uma atrevida raposa mete-se num galinheiro e papa uma galinha. O José, rapaz desembaraçado, sai de casa sem dar por isso e junta-se ao seu amigo Roberto, que com ele se confronta em lutas corpo-a-corpo e o segue em brincadeiras insensatas, provocando venerandos e pacíficos habitantes da aldeia.
Ambos têm um fraquinho pela caça. O Roberto vai ter com o pai, que cumpre a rotina de limpar carcaças de gado abatido. Pede-lhe que lhe empreste a espingarda para ir caçar com o amigo, mas e prudente papá recusa. Frustrados, lá vão os rapazolas, cometendo várias tropelias pelo caminho. Metem-se pelo lameiro fora e cruzam-se com dois vigilantes armados que deambulam à caça de caçadores furtivos, que os rapazes acabam também por provocar.
O Roberto tem uma fisga, a única arma com que poderão matar algum incauto passarinho. O José vai de mãos vazias. Passada a linha férrea que atravessa os campos, tomados pelo tédio, separam-se. Nisto, o Roberto é alertado por um grito de socorro do amigo. Corre ao seu encontro e dá com ele afundado até à cintura numa grande poça de lama. Assustado, vê que nada pode fazer sem risco de vida. O amigo enterra-se cada vez mais. Lança-se então o Roberto em desesperada correria, pedindo socorro a quem não o ouve. Só chegado de regresso à aldeia consegue convencer quem antes provocara a mobilizar gente para salvar o amigo.
Vários homens acorrem. Para conseguirem retirá-lo da poça formam uma fila em que se agarram uns aos outros mão a mão. No extremo da fila, um velho maneta aventura-se metendo-se dentro de água. O José está completamente imerso. O velho consegue deitar-lhe a única mão que tem, mas a cadeia quebra-se. O maneta, que tem o José aparentemente morto fisgado com a mão esquerda e o couto da mão direita erguido no ar, grita para os outros: «A mão. A mão!». O grupo desentende-se em contenda, a cadeia solidária desfaz-se. O José e o maneta afundam-se. E o filme acaba.
O que não chega a acontecer. A censura do regime salazarista está de olho vivo para coisas destas e exige a Oliveira que altere a história com um final feliz, se quer o subsídio prometido e a fita nos cinemas. Resultado: refaz-se a cadeia solidária e tanto o maneta como o José saem vivos do buraco em que se meteram.
Moral da história: na versão original, a quebra de solidariedade entre os homens é mortal. Na versão censurada, a solidariedade persistente é salvadora.
Qual a diferença entre tais constatações se uma implica obrigatoriamente a outra? Por que motivo validar a primeira e rejeitar a segunda se isso implica omitir um facto, importante e intrínseco ao filme, de relevância história e política? Preferir uma versão ou outra não será nunca decisão inocente. Resta perceber porquê.
Ficha artística
Argumento e diálogos : Manoel de Oliveira
Realização: Manoel de Oliveira
Assistente de realização: Domingos Carneiro
Género: drama
Actores: António Rodrigues Sousa (José), João Rocha Almeida (Roberto), Albino Freitas (Sapateiro), Manuel de Sá (Maneta), entre outros habitantes de uma aldeia.
Música: Joly Braga Santos
Ficha técnica
Direcção de fotografia: Manoel de Oliveira
Imagem: António Lopes Fernandes
Director de som: Manoel de Oliveira
Operadores de som: Fernando Jorge e Manuel Fortes
Formato: 16 mm ampliado para 35 mm
Duração: 21min.
Montagem: Manoel de Oliveira
Produção: Manoel de Oliveira (colaboração da Tobis Portuguesa)
Exteriores: Vagueira, Ílhavo
Rodagem: Outono 1959 a 1963
Laboratórios: Tobis Portuguesa e Ulyssea Filme
Antestreia: Cinema São Luiz (Festival Internacional de Arte Cinematográfica), a 20 de janeiro de 1964
Distribuição: Filmes Lusomundo
Estreia: Estúdio do Cinema Império, Lisboa, 23 setembro de 1970
Referências
Ver também
Cinema de Portugal
Ligações externas
A Caça em CITI
A Caça na IMDb
Texto de A Caça (curta-metragem) na Wikipédia, sob licença CC BY-SA 4.0. https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Caça_(curta-metragem)
Curiosidades
- Estreou em 20 de janeiro de 1964, numa segunda-feira.
- O quiz deste filme tem 9 perguntas — dá para jogar mais de uma vez sem repetir.
Produção
- EstúdiosTobis Portuguesa
- PaísesPortugal
- Idiomasportuguês
- SituaçãoReleased
Elenco
- António Rodrigues Sousa José
- João Rocha Almeida Roberto
- Albino Freitas Sapateiro
- Manuel De Sá Maneta
Quiz deste filme
Perguntas de todo o catálogo.
Jogar agoraSe gostou desse, veja
-
Resgate no Golfo
6,7
-
A Adolescente Drama dos anos 1960
7,0
-
Hardball - O Jogo da Vida
6,5
-
Corações Famintos
6,5
-
Reservoir Dogs
7,5
-
O Resgate de Uma Vida
6,4
-
Rogue Agent
6,3
-
2073
6,7
-
A Batalha do Ano
6,8
-
Beast
7,5
-
O Bom Vizinho
6,6
-
Temporada de Sangue
7,4
Tags
Ficha técnica
- Manoel de Oliveira Fotografia
- Manoel de Oliveira Direção
- Manoel de Oliveira Montagem
- Manoel de Oliveira Produção
- Joly Braga Santos Trilha sonora
- Manoel de Oliveira Roteiro
Perguntas sobre o filme
Do que se trata A Caça?
A Caça: Duas crianças testemunham um assassinato durante um acampamento com os amigos de seus pais. Os irmãos que cometeram o crime pretendem silenciá-las.
Quem dirigiu A Caça?
A Caça foi dirigido por Manoel de Oliveira em 1964.
Quem está no elenco de A Caça?
No elenco de A Caça estão António Rodrigues Sousa, João Rocha Almeida, Albino Freitas e Manuel De Sá.
Quanto tempo dura A Caça?
A Caça dura 21 minutos, ou 0h21.
Filmes parecidos
-
8,7
Um Sonho de Liberdade
1994
-
8,5
Interestelar
2014
-
8,7
O Poderoso Chefão
1972
-
7,9
Titanic
1997
-
8,4
Clube da Luta
1999
-
8,5
Forrest Gump: O Contador de Histórias
1994
-
8,1
Coringa
2019
-
8,2
Django Livre
2012
-
8,0
O Lobo de Wall Street
2013
-
8,2
Gladiador
2000
-
8,5
À Espera de um Milagre
1999
-
8,5
Parasita
2019
Ficha atualizada em 18/09/2026.
Voltar para o catálogo