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Fátima (2017)

Fátima (2017), de João Canijo, com Rita Blanco e Anabela Moreira.

27/04/2017 BR Drama 2h 33m

Sinopse

Maio de 2016. Um grupo de 11 mulheres parte de Vinhais, Trás-os-Montes, no extremo norte de Portugal, em peregrinação a Fátima. Ao longo de nove dias e 400 quilômetros, atravessam meio país em esforço e sacrifício para cumprir as suas promessas. O cansaço e o sofrimento extremos as levam a momentos de ruptura. Revelam-se então as suas identidades e motivações mais profundas. Chegadas a Fátima, cada uma terá que reencontrar o seu próprio caminho para a redenção.

  • Mário CastanheiraFotografia
  • João CanijoDireção, Roteiro
  • Elsa FerreiraMontagem
  • João BrazMontagem

Sobre o filme

Fátima (fra: 11 fois Fátima) é um filme de drama social luso-francês de 2017, escrito e realizado por João Canijo e produzido por Pedro Borges e François d'Artemare. A longa-metragem é interpretada por um ensemble cast liderado por Rita Blanco (como Ana Maria) e Anabela Moreira (como Maria do Céu), membros de um grupo feminino na maior peregrinação nacional até à cidade religiosa de Fátima. A produção, estreada comercialmente a 27 de abril de 2017, em Portugal, e 12 de junho de 2019, em França, resultou, para além do Corte teatral, num Corte estendido de 202 minutos e numa minissérie intitulada Caminhos da Alma, estreada no dia 15 de setembro de 2017, na RTP1.

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Fátima (fra: 11 fois Fátima) é um filme de drama social luso-francês de 2017, escrito e realizado por João Canijo e produzido por Pedro Borges e François d'Artemare. A longa-metragem é interpretada por um ensemble cast liderado por Rita Blanco (como Ana Maria) e Anabela Moreira (como Maria do Céu), membros de um grupo feminino na maior peregrinação nacional até à cidade religiosa de Fátima. A produção, estreada comercialmente a 27 de abril de 2017, em Portugal, e 12 de junho de 2019, em França, resultou, para além do Corte teatral, num Corte estendido de 202 minutos e numa minissérie intitulada Caminhos da Alma, estreada no dia 15 de setembro de 2017, na RTP1.

Sinopse

Maio de 2016. A propósito de um 13 de maio, um grupo de onze mulheres parte de Vinhais, Trás-os-Montes, parte em peregrinação a Fátima. Ao longo de nove dias e quatrocentos e trinta quilómetros, atravessam meio país em esforço e sacrifício para cumprir as suas promessas. Esta é a história da mais longa e sofrida de todas as peregrinações que se fazem em Portugal.

O cansaço e o sofrimento extremos levam-nas a momentos de rutura. Revelam-se então as suas identidades e motivações mais profundas. Chegadas a Fátima, cada uma terá que reencontrar o seu próprio caminho para a redenção.

Elenco e personagens

Equipa técnica

Realização: João Canijo

Imagem: Mário Castanheira e Anabela Moreira

Som: Olivier Hespel, Elsa Ferreira e Gérard Rousseau

Montagem: João Braz

Produtor: Pedro Borges

Co-produtor: François D’Artemare

Produção

Fátima é uma produção da Midas Filmes (Portugal) e Les Films de l’Après-midi (França), que contou com o apoio financeiro do Instituto do Cinema e do Audiovisual, Rádio e Televisão de Portugal e do Centre National du Cinéma et de l’Image Animée.

Desenvolvimento

O projeto inicial de Fátima fora concebido para ser concretizado em 2012, logo após a conclusão de Sangue do Meu Sangue. No entanto, a crise financeira despoletou um bloqueio generalizado de várias produções, e João Canijo avançou com É o Amor / Obrigação. A propósito destes filmes, e mais tarde também durante o documentário Portugal: Um Dia de Cada Vez, Anabela Moreira começou a descobrir que grupos de peregrinos existiam e quais iam até Fátima, em particular em Trás-os-Montes. Segundo Canijo, a escolha de realizar um filme com o tema da peregrinação a Fátima "tem a ver com a relação da humanidade com a fé".

A preparação para Fátima iniciou-se em 2014, ano durante o qual João Canijo realizou uma peregrinação curta de 80 quilómetros até a cidade religiosa, o que ajudou a definir a abordagem ao enredo: "Ao mesmo tempo, numa peregrinação, dá-se o paradoxo entre a busca da elevação espiritual e a natureza humana. O filme é sobre esse conflito, em que geralmente a natureza humana se sobrepõe à aproximação ao transcendente." Decidido a focar a longa-metragem nas relações intergrupais, o realizador decidiu que o elenco do filme seria integralmente feminino, uma vez que, na sua opinião, "as relações de grupo entre mulheres parecem-me muito mais interessantes do que com homens à mistura". Neste momento de produção, o título provisório do filme era Ámen, por o nome Fátima já estar associado a outra longa-metragem de 1997, com Catarina Furtado e Joaquim de Almeida.

Estágio

João Canijo pretendia prolongar o modelo de organização dramática que produziu em Sangue do Meu Sangue, ou seja, desenvolver uma rede de ficção sustentada por atores. Para Fátima, o realizador selecionou um coletivo de onze atrizes, a maioria colaboradoras habituais nas suas obras (como Rita Blanco, Anabela Moreira, Cleia Almeida e Márcia Breia). Parte deste processo envolve o que o realizador intitula de "Estágio de realidade" nas ocupações e passatempos dos seus personagens. O objetivo seria realizar uma ficção disfarçada de documentário, algo apenas conseguido pela pesquisa das atrizes, de situações as circunstâncias reais que informariam o filme. Para tal, na fase seguinte de produção em 2014, todas as atrizes se juntaram a diferentes grupos em peregrinação para Fátima. Após conhecer o grupo de peregrinos de Bragança que viria a inspirar o filme, Anabela Moreira e Vera Barreto integraram-no também para uma peregrinação. No fim de cada dia de peregrinação, as atrizes gravavam um diário no smartphone, no qual falavam, entre outros, sobre a sua relação com a fé, e enviavam-no por e-mail ao realizador. Moreira gravou também entrevistas que fazia a outros peregrinos que encontrava no percurso. Da transcrição de todos os diários e entrevistas, desenvolveu-se a estrutura e uma primeira versão do argumento para o filme.

Em 2015, organizou-se uma peregrinação apenas com as atrizes, mas filmada em condições reais. Da transcrição desse exercício de improviso contínuo na estrada desenvolveu-se a segunda versão do argumento.

Em 2016, o elenco viveu na aldeia de Rio de Fornos (Vinhais) durante dez semanas, a estagiar nas profissões das mulheres que inspiraram as suas personagens. Cleia Almeida integrou uma creche, Vera Barreto acompanhou um agricultor moderno, Rita Blanco trabalhou como dona de um café e Alexandra Rosa colaborou no centro de saúde. Ana Bustorff cortou carnes, fez a massa e encheu alheiras numa das fábricas de fumeiro de Vinhais. Outras atrizes colaboraram com uma escola local e posto de turismo. Para a sua personagem, Anabela Moreira não só teve de engordar, como trabalhou num supermercado e no campo, a cuidar de porcos e vacas. Acerca do processo, a atriz defende: "Em vez de estar a trabalhar sobre a imaginação, ganhas memórias reais daquela outra vida no dia-a-dia."

Depois dos estágios na parte da manhã, durante a tarde, a equipa juntava-se para um laboratório de trabalho, no qual discutiam as experiências vividas, construíam as personagens em diversas situações, ensaiavam e improvisavam as cenas. Uma dificuldade acrescida para as atrizes foi o sotaque. Deste processo compôs-se a última revisão do argumento. Apesar de Fátima ter uma base documental, todos os aspetos do enredo e das personagens foram estudados. Segundo o realizador, "confunde-se, como em tudo, a personagem com a persona, mas isso é sempre assim. Os atores nunca saem de si próprios, não se transformam em mais ninguém."

Rodagem

A rodagem iniciou-se após o estágio, em 2016. Os intervenientes de Fátima filmaram uma peregrinação incompleta de cinco dias de Bragança a Fátima, saltando as partes do percurso consideradas menos significativas pelo realizador. As atrizes foram obrigadas a permanecer em personagem durante este período que foi filmado como se de um documentário se tratasse. As gravações terminaram com a chegada das atrizes a Fátima, a 12 de maio, na altura do maior pico de afluência anual ao Santuário.

Apesar de haver um guião completo, foi dada liberdade às atrizes para improvisar a partir do arco narrativo principal. Tal resultou num tumulto inevitável de diálogos cruzados, tensões e cumplicidades, gerando cenas que podem ser tão dramáticas quanto engraçadas.

Entre os membros da equipe técnica esteve Francisco Pires, habitante de Rio de Fornos, que já havia organizado 17 idas a Fátima com grupos. Assumindo funções de Diretor artístico, Pires montou os acampamentos das atrizes para a rodagem, tal e qual como os montaria na realidade.

Montagem

Após as gravações, em junho de 2016, João Braz iniciaria o processo de montagem da produção. Tal resultaria nas diferentes versões que se seguem:

Fátima, Corte teatral: Versão original de 153 minutos.

Fátima, Corte estendido: Versão longa de 202 minutos.

Caminhos da alma: Minissérie composta por cinco episódios de 50 minutos.

Caminhos da alma

Caminhos da Alma é uma versão mais longa de Fátima para televisão, no formato de minissérie com cinco episódios, que estreou na RTP1 a 15 de setembro de 2017, em prime-time. Foi exibida semanalmente até 13 de outubro, data em que terminaram as comemorações do centenário das aparições de Fátima.

Esta versão contem imagens inéditas do Corte teatral, nomeadamente cenas das suas interações nos acampamentos e uma exploração das motivações das personagens para partir em peregrinação.

Lista de episódios

Abaixo, estão listados os episódios da minissérie Caminhos da Alma:

Temas e estilo

Em Fátima, João Canijo não procura explorar o tema da religião, mas utilizar como pano de fundo imagético uma viagem pelo interior da paisagem natural, patrimonial e mental de Portugal para se debruçar sobre a questão da auto-imposição do sofrimento e do sacrifício. Nas palavras do realizador, "o paradoxo entre a ambição de transcendência da fé e a natureza humana". Deste modo, a obra assume-se como um "foot movie", no qual o objetivo espiritual surge em segundo plano e a questão principal é se as personagens conseguirão alcançar o local sagrado como um grupo. A estrutura central do filme continua a ser a típica do cinema de Canijo, centrado num grupo pequeno, neste caso, mulheres que representam as contradições da sua comunidade.

Canijo filma a convivência feminina sem artifícios de narrativa convencional, utilizando até o limite as técnicas de realismo previamente empregues em Sangue do Meu Sangue. O filme foi desenhado para ser confundido com um documentário. Ao assumir ferramentas híbridas da não-ficção e da ficção, em Fátima, o realizador radicaliza a forma de representação da realidade do seu cinema. Conjugam-se duas estratégias complementares: por um lado, assume-se um certo discurso cultural; e, por outro, recorre-se a uma constante experimentação estética.

Na sua abordagem documental, para além da improvisação das atrizes, o realizador não quis dirigir o olhar do espetador na montagem ou na maneira de filmar. Nas cenas ao redor de uma mesa de refeição, as vozes cruzam-se e misturam-se conversas. Essa utilização do som é mais um dado que concorre para uma ideia de quotidiano e de revelação das marcas do real, abstendo-se a câmara de se imiscuir nesse retrato. O espetador volta a ter de gerir todas as “ocorrências” simultâneas das múltiplas personagens e suas conversas, em diferentes planos. Esta cacofonia sonora, elemento central da estética canijiana, remetente às vozes das alternadeiras em Noite Escura e que tivera a sua concretização máxima em Sangue do Meu Sangue. Neste sentido, Canijo descreve Fátima como um filme "matissiano", "porque o Matisse tinha uma ambição, que era em cada quadro não haver um elemento preponderante e ser o espetador a construir o seu próprio quadro. Eu tentei fazer isso e consigo nas cenas dos acampamentos bastante bem".

Distribuição

Antes de chegar aos cinemas, o Corte estendido de Fátima foi antestreado a 23 de abril de 2017 em Vinhais, no Centro Cultural de Vinhais, numa sessão que reuniu o elenco de onze atrizes com os residentes locais que participaram no processo de estágio para o filme. Em ano do Centenário das Aparições de Fátima, a longa metragem foi distribuída comercialmente pela NOS Lusomundo, tendo estreado a 27 de abril. O Corte estendido esteve apenas em exibição no Cinema Ideal, em Lisboa.

A longa-metragem estreou-se também em França, a 12 de junho de 2019, nos cinemas da rede AlloCiné. Paris, Lyon, Estrasburgo, Toulouse e Grenoble receberam antestreias, que contaram com a presença do realizador e de Rita Blanco.

Fátima, Corte teatral foi editado em DVD e lançado no dia 12 de agosto de 2017, com o jornal Público.

A minissérie Caminhos da Alma estreou no dia 15 de setembro de 2017, sexta-feira, pelas 21h30, na RTP1, tendo sido exibida ao longo de cinco semanas.

Festivais

Festival Internacional de Cinema de Roterdão (Holanda, janeiro de 2018)

Festival de Cinema de Gotemburgo (Suécia, 2 de fevereiro de 2018)

Crossing Europe (Áustria, 2018)

Bildrausch: Filmfest Basel (Suíça, 1 de junho de 2018)

Festival Portuguese Cinema Days in Berlin (Alemanha, 19 de outubro de 2018)

Receção

Audiência

De todos os filmes portugueses estreados em 2017 no país, Fátima foi o quarto mais visto nas salas de cinema, tendo totalizado 23.699 espetadores e auferido 118.348,53€. Depois do sucesso no cinema, a minissérie Caminhos da Alma foi, em média o sétimo programa mais visto da RTP a cada semana de exibição, com 2,6% de rating e 5,6% share.

Crítica

De forma geral, Fátima recebeu críticas positivas, ainda que os críticos tenham considerado que o filme fica aquém de Sangue do Meu Sangue. João Lopes (Diário de Notícias) é um deles. Argumenta que "Fátima ilustra uma singularíssima via criativa na paisagem do atual cinema português", acrescentando ainda que "a conjuntura religiosa em que ocorre o lançamento do filme apenas reforça a importância dos seus temas". Eurico de Barros (Time out) elogia o método de trabalho e encenação de Canijo pelo modo como deteta e mostra os efeitos físicos, emocionais e psicológicos que este tipo de peregrinação tem nos crentes e não-crentes: "E fá-lo como se uma peregrinação verdadeira e a peregrinação recriada fossem gémeas siamesas". Também elogioso do método de trabalho de Canijo, Vasco Câmara (Ípsilon) escreve "Fátima despoja-se para poder contemplar, e permitir que contemplemos, a intimidade da sua construção, espreita os segredos de um processo de trabalho, e de uma aliança, não para nos explicar nada, mas para que vislumbremos a sua complexidade".

Um dos aspetos mais comentados do filme foi a qualidade das interpretações do elenco. Rui Pedro Tendinha (Diário de Notícias) destaca "Anabela Moreira talvez melhor do que nunca, uma Márcia Breia a aferroar a perfeição e uma Rita Blanco a mostrar que é a maior atriz de composição deste país". Também Vítor Pinto (Cineuropa) escreve elogios à interpretação da protagonista: "Simultaneamente autoritária e cómica, Blanco destaca-se mais uma vez como uma das atrizes mais talentosas de Portugal."

Premiações

Pelo seu desempenho em Fátima, Rita Blanco foi multipremiada. A longa-metragem foi também considerada o Filme Português do Ano pela revista Time Out e um dos melhores filmes de 2017 pela Revista Sábado.

Referências

Texto de Fátima (filme de 2017) na Wikipédia, sob licença CC BY-SA 4.0. https://pt.wikipedia.org/wiki/Fátima_(filme_de_2017)

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Perguntas sobre o filme

Do que se trata Fátima?

Fátima: Maio de 2016. Um grupo de 11 mulheres parte de Vinhais, Trás-os-Montes, no extremo norte de Portugal, em peregrinação a Fátima. Ao longo de nove dias e 400 quilômetros, atravessam meio país em esforço e sacrifício para cumprir as suas promessas. O cansaço e o sofrimento extremos as levam a momentos de ruptura. Revelam…

Quem dirigiu Fátima?

Fátima foi dirigido por João Canijo em 2017.

Quem está no elenco de Fátima?

No elenco de Fátima estão Rita Blanco, Anabela Moreira, Cleia Almeida, Teresa Tavares e Ana Bustorff.

Quanto tempo dura Fátima?

Fátima dura 153 minutos, ou 2h33.

Onde assistir Fátima no Brasil?

No Brasil, Fátima está disponível em Filmicca. A oferta muda com frequência: a lista da página é a mais recente que recebemos.

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