
Macunaíma (1969)
Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, com Grande Otelo e Paulo José.
dos usuários
Tá gostoso, coração, tá?
Sinopse
Macunaíma é um herói preguiçoso, safado e sem nenhum caráter. Ele nasceu na selva e de preto, virou branco. Depois de adulto, deixa o sertão em companhia dos irmãos. Macunaíma vive várias aventuras na cidade, conhecendo e amando guerrilheiras e prostitutas, enfrentando vilões milionários, policiais, personagens de todos os tipos.
- Joaquim Pedro de AndradeDireção, Produção, Roteiro
- Eduardo EscorelMontagem
Sobre o filme
Macunaíma é um filme brasileiro, de 1969 dos gêneros comédia e fantasia, dirigido e escrito por Joaquim Pedro de Andrade, com base na obra homônima de Mário de Andrade. Conta com Paulo José, Dina Sfat, Jardel Filho, Milton Gonçalves e Grande Otelo nos papéis principais. O filme segue a história de Macunaíma, um anti-herói preguiçoso, descrito como "herói da nessa gente", "herói sem nenhum caráter", e ainda "representante do povo brasileiro", um indígena que nasce negro e já adulto (Grande Otelo) em meio à selva amazônica, torna-se branco (Paulo José) e vai para a cidade grande, conhecendo prostitutas, guerrilheiros e enfrentando vários tipos de inimigo que encontra pelo caminho.
Macunaíma foi exibido na sessão Quinzena dos Realizadores do Festival de Cinema de Cannes, em 1970. Na 5.ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em 1969, o longa saiu como um dos grandes vencedores, recebendo o Troféu Candango de Melhor Ator, para Grande Otelo, Cenografia e Figurinos, para Anísio Medeiros, Roteiro, Diálogo, Argumento e o Prêmio Carmem Santos INC, para Joaquim Pedro de Andrade, e Ator Coadjuvante, para Jardel Filho. No ano seguinte, ganhou o prêmio de Melhor Filme no Festival Internacional de Mar del Plata, na Argentina.
Em 1999, em uma pesquisa do jornal Folha de S.Paulo realizada com 24 críticos e estudiosos do cinema brasileiro, Macunaíma foi indicado como um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos, ficando entre os dez colocados na lista. Em novembro de 2015, ficou em décimo lugar na lista da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos cem melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Em maio de 2026, foi incluído na lista dos cem filmes brasileiros mais importantes de todos os tempos, da mesma associação.
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Macunaíma é um filme brasileiro, de 1969 dos gêneros comédia e fantasia, dirigido e escrito por Joaquim Pedro de Andrade, com base na obra homônima de Mário de Andrade. Conta com Paulo José, Dina Sfat, Jardel Filho, Milton Gonçalves e Grande Otelo nos papéis principais. O filme segue a história de Macunaíma, um anti-herói preguiçoso, descrito como "herói da nessa gente", "herói sem nenhum caráter", e ainda "representante do povo brasileiro", um indígena que nasce negro e já adulto (Grande Otelo) em meio à selva amazônica, torna-se branco (Paulo José) e vai para a cidade grande, conhecendo prostitutas, guerrilheiros e enfrentando vários tipos de inimigo que encontra pelo caminho.
Macunaíma foi exibido na sessão Quinzena dos Realizadores do Festival de Cinema de Cannes, em 1970. Na 5.ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em 1969, o longa saiu como um dos grandes vencedores, recebendo o Troféu Candango de Melhor Ator, para Grande Otelo, Cenografia e Figurinos, para Anísio Medeiros, Roteiro, Diálogo, Argumento e o Prêmio Carmem Santos INC, para Joaquim Pedro de Andrade, e Ator Coadjuvante, para Jardel Filho. No ano seguinte, ganhou o prêmio de Melhor Filme no Festival Internacional de Mar del Plata, na Argentina.
Em 1999, em uma pesquisa do jornal Folha de S.Paulo realizada com 24 críticos e estudiosos do cinema brasileiro, Macunaíma foi indicado como um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos, ficando entre os dez colocados na lista. Em novembro de 2015, ficou em décimo lugar na lista da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos cem melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Em maio de 2026, foi incluído na lista dos cem filmes brasileiros mais importantes de todos os tempos, da mesma associação.
Enredo
O filme inicia-se com o nascimento do ameríndio Macunaíma (Grande Otelo), num lugar chamado "Pai da Tocandeira", como diz o narrador em voice over, localizado na mata virgem à beira do Rio Uraricoera. Ele vivia com seus irmãos Jiguê (Milton Gonçalves) e Maanape (Rodolfo Arena), além de sua cunhada Sofará (Joana Fomm) e sua velha mãe rabugenta (Paulo José). Apesar de já ter nascido num corpo adulto, Macunaíma foi uma criança extremamente levada. Dava em cima de sua cunhada, com a qual acaba por dormir e urinava na rede quando ia dormir, molhando sua mãe que dormia na rede de baixo. Nos primeiros seis anos de vida, Macunaíma, de tão preguiçoso, não falava, passava o tempo decepando saúvas, até que, pela primeira vez, resolveu falar suas primeiras palavras: "aí, que preguiça".
Após uma enchente, a família ficou sem ter o que comer. Macunaíma tinha vários cachos de banana escondidos, mas como não quis dividir o alimento com seus irmãos e, ainda por cima, fez piada com a magreza de Maanape, sua mãe decide expulsá-lo da tribo e o manda embora. Perdido na floresta, Macunaíma passa a buscar o caminho de casa e, nesse processo, vive algumas aventuras, como o encontro com o Curupira, que tenta devorá-lo. Consegue escapar, chegando à casa de uma velhinha chamada Cotia, que lhe mostra o caminho de volta para a tribo. Logo após seu retorno, sua mãe morre e ele parte, em errância, com seus irmãos e sua nova cunhada, Iriqui. Logo encontram uma nascente de água mágica, na qual Macunaíma, que nascera negro retinto, entra debaixo dela e fica branco, louro e de olhos azuis (também Paulo José). Jiguê, igualmente negro, tenta entrar debaixo da fonte, mas a água para antes que ele a alcance, e ele só consegue embranquecer a sola dos pés e das mãos. Imediatamente, Iriqui passa a ignorar Jiguê e fica sempre junto de Macunaíma.
Em seguida, a família entra em um pau de arara e vai parar na cidade grande. Logo que chegam, é dito em narração que Iriqui foi trabalhar em uma casa de moças, no mangue, desaparecendo do filme. Macunaíma fica atordoado com a cidade, seu agitação e a quantidade de máquinas. Enquanto passeiam, os três irmãos deparam-se com a guerrilheira Ci escapando de uma kombi que, se presume, pertence às forças repressivas do ditadura militar que comandava o país à época. Atraído pela beleza da "subversiva", Macunaíma a persegue e os dois acabam por fazer amor em um estacionamento. Depois disso, vão viver juntos, na Casa de Ci e acabam tendo um filho negro (também Grande Otelo), embora ambos sejam brancos. Pouco depois do seu nascimento, contudo, mãe e filho morrem, vitimados por uma explosão armada pelos inimigos de Ci.
Deprimido, o "herói de nossa gente" fica bêbado e vai parar sob a sombra de um coqueiro, numa ilha, sobre o qual está pousado um urubu, que defeca sobre ele. A partir desse momento, Macunaíma muda suas vestimentas, passando a vestir-se de forma compatível com o movimento hippie, em voga na época, e acaba resgatado da ilha por três moças numa jangada. Vivendo agora, no que parece ser um cabaré, com seus irmãos e algumas prostitutas, Macunaíma lê num jornal que o industrial estrangeiro Venceslau Pietro Pietra (Jardel Filho), também conhecido como "gigante devorador de gente", está sob posse do muiraquitã, uma pedra mágica que Ci usava como amuleto de proteção e que desapareceu após sua morte. Esta pedra dá sorte e, com ela, o industrial ficou ainda mais poderoso. Macunaíma decide recuperar o amuleto e, para isso, traça estratégias, dentre elas, visitar Venceslau vestido de francesa. Não funcionando a tática, Macunaíma vai a uma pombagira e diz a uma entidade que "queria dar muito" no seu rival. Batendo na pessoa que incorpora a entidade, Macunaíma consegue atingir seu inimigo, que fica muito ferido.
Após viver mais algumas aventuras na cidade, Macunaíma é convidado pelo seu rival a uma feijoada. Lá, há uma piscina com água fervente e o anfitrião sorteia convidados para serem jogados na água dessa feijoada humana. Macunaíma acaba por conseguir jogar Venceslau dentro da água. Vencido o inimigo, resolve abandonar a cidade e voltar com os irmãos para o Pai da Tocandeira, levando diversos elementos da metrópole consigo, entre eles uma guitarra elétrica e uma moça chamada Princesa.
Ao voltar à antiga maloca, os irmãos deparam-se com um cenário decadente e sem comida. Macunaíma, preguiçoso, não ajuda na busca por alimentos, e seus irmãos acabam por abandoná-lo. A única companhia que consegue é a de um papagaio que passava por ali, contando a ele suas aventuras já vividas. Certo dia, Macunaíma, sentindo-se solitário e sem nenhuma fêmea para "brincar", vai até um rio parar tentar relaxar. Lá avista uma linda moça nua nas águas; mas era Uiara, a "comedora de gente". O herói se atira na água e acaba devorado pela sereia amazônica. O filme termina com borbulhas de sangue subindo à superfície ao som da canção "Desfile aos Heróis do Brasil", de Heitor Villa-Lobos, que também abrira o filme.
Elenco
Temas e análises
De acordo com Heloísa Buarque de Hollanda, "Há uma tendência geral que identifica a retórica do filme à corrente tropicalista", embora, segundo a autora, o diretor do filme negue, por meio da seguinte frase, que cita: "Macunaíma mostra que o balão inchado e colorido do tropicalismo estava furado mesmo e tinha que se esvaziar, do mesmo jeito que Macunaíma, personagem, festeja muito, mas acaba sendo comido pelo Brasil". A despeito disso, o filme parece ter sido mesmo recebido como uma grande obra do tropicalismo, havendo diversos artigos nesse sentido. Cite-se, a título de exemplo, o artigo "Antropofagia e tropicalismo no cinema brasileiro: reflexões propostas a partir do filme macunaíma", de Wallace Andrioli Guedes.
No filme, ao contrário do livro, o protagonista não tem poderes mágicos. "A opção pela suspensão do aspecto mágico se confirma. Macunaíma não transporta magicamente a mãe para o outro lado do brejo: esconde comidas gostosas num esconderijo bem disfarçado. Não cresce igualado pela cutia: ganha de uma velhinha da roça roupas de adulto – ´vou te dar uma roupa de acordo com seu bestunto`. A suspensão da magia é importante no sentido de reduzir a história de Macunaíma, suas idas, suas vindas, à dimensão do real, crônica tragicômica e anti-heróica".
O Macunaíma do filme representa o típico brasileiro, que acaba sendo devorado pelo sistema (à época, apesar do autoritarismo, muitos brasileiros eram tragados pelas "maravilhas" do milagre econômico). Como afirma Heloísa Buarque de Hollanda: "Em Macunaíma, segundo Joaquim Pedro, tem-se a estória de um brasileiro que foi ´comido` pelo Brasil. Isto é, pelas relações de trabalho, pelas relações sociais e econômicas que ainda são basicamente antropofágicas. Resumido, Joaquim afirma ser o seu Macunaíma um filme sobre consumo".
No embate contra o industrial Venceslau Pietro Pietra, Macunaíma, um índio, claramente representa os valores autóctones contra o sistema. Na cena da feijoada, na casa de Venceslau Pietro Pietra, Macunaíma, vestido com as cores coeca nacional, vai ao cascao do gigante. Lá, consegue recuperar a muiraquitã e derrubar Venceslau Pietro Pietra na água fervente em que era preparada uma feijoada de carne humana. Macunaíma acredita-se vitorioso sobre o sistema e, desse modo, apodera-se de bens de consumo, como troféus, sendo, contudo, justamente por isso derrotado pelo capital, que o assimila. Macunaíma era um resistente que tentava devorar quem o devorava, mas acaba sendo absorvido. Nesse sentido, afirma o próprio diretor do filme: "Há novos heróis. Eles tentam devorar quem os devora. Mas os contestadores são industrializados pelos órgãos de divulgação e passam a ser consumidos, isto é, comidos, como todos aqueles que aceitam. Enfim, quem pode come o outro. Macunaíma é um sujeito que foi comido pelo Brasil (...)". Talvez por isso, depois da vitória sobre o industrial, o protagonista apareça com roupa estilo country americano, carregando diversos bens, e com “a moça chamada Princesa, que era bem elegante”, como diz o narrador em voice over. Macunaíma, portanto, não é ainda o herói moderno nacional, pois a ele falta, segundo o diretor do filme, "uma visão mais geral, mais ambiciosa e mais consciente. Ela dá sempre os seus golpes com objetivo limitado, pessoal, individualista (...). O herói moderno, para mim, é uma espécie de encarnação nacional, cujo destino se confunde com o próprio destino de seu povo. Uma das suas características fundamentais é a consciência coletiva. Ao contrário de Macunaíma, ele terá de encarnar um ser moral, no sentido de estar possuído por toda uma ética social".
Recepção
Principais prêmios e indicações
Festival de Brasília 1969
Venceu nas categorias de melhor ator (Grande Otelo), cenografia e figurinos (Anísio Medeiros), roteiro (Joaquim Pedro de Andrade) e ator coadjuvante (Jardel Filho).
Festival Internacional de Mar del Plata 1970 (Argentina)
Venceu na categoria de melhor filme.
Referências
Ligações externas
Página do filme no IMDb
Texto de Macunaíma (filme) na Wikipédia, sob licença CC BY-SA 4.0. https://pt.wikipedia.org/wiki/Macunaíma_(filme)
Curiosidades
- Estreou em 3 de setembro de 1969, numa quarta-feira.
- Dura 1h50 — a medida de um longa comum.
- O quiz deste filme tem 9 perguntas — dá para jogar mais de uma vez sem repetir.
Produção
- PaísesBrasil
- Idiomasportuguês
- SituaçãoReleased
Elenco
-
Grande Otelo
Black Macunaíma / Macunaíma's son -
Paulo José
White Macunaíma / Macunaíma's mother -
Jardel Filho
Venceslau Pietro Pietra -
Milton Gonçalves
Jiguê -
Dina Sfat
Ci -
Rodolfo Arena
Maanape -
Joana Fomm
Sofara -
Maria do Rosário
Iriqui -
Rafael de Carvalho
Caipora - Nazareth Ohana
-
Zezé Macedo
Thin woman -
Wilza Carla
Fat woman -
Myrian Muniz
Venceslau's wife - Edy Siqueira
-
Carmem Palhares
- Maria Clara Pelegrino Venceslau's maid
-
Waldir Onofre
-
Hugo Carvana
Man with duck - Maria Letícia
-
Guará Rodrigues
Bum
Quiz deste filme
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Tags
Ficha técnica
- Joaquim Pedro de Andrade Direção
- Eduardo Escorel Montagem
- Joaquim Pedro de Andrade Produção
- Joaquim Pedro de Andrade Roteiro
Perguntas sobre o filme
Do que se trata Macunaíma?
Macunaíma: Macunaíma é um herói preguiçoso, safado e sem nenhum caráter. Ele nasceu na selva e de preto, virou branco. Depois de adulto, deixa o sertão em companhia dos irmãos. Macunaíma vive várias aventuras na cidade, conhecendo e amando guerrilheiras e prostitutas, enfrentando vilões milionários, policiais, personagens de tod…
Quem dirigiu Macunaíma?
Macunaíma foi dirigido por Joaquim Pedro de Andrade em 1969.
Quem está no elenco de Macunaíma?
No elenco de Macunaíma estão Grande Otelo, Paulo José, Jardel Filho, Milton Gonçalves e Dina Sfat.
Quanto tempo dura Macunaíma?
Macunaíma dura 110 minutos, ou 1h50.
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Ficha atualizada em 15/09/2026.
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